segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
sexta-feira, 23 de maio de 2014
Especial 50 anos da Ditadura Militar no Brasil: Repressão: Prisões, Torturas, Assassinatos
O governo militar (chamado de Anos de
Chumbo) reprimiu duramente as manifestações (guerrilha e os grupos de
esquerda). Centenas de militantes foram presos. Muitos outros foram mortos. Os
presos eram submetidos a torturas
para revelar o nome dos companheiros de luta e os planos das organizações a que
pertenciam. A seguir alguns tipos de torturas utilizadas pelo DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de
Operações de Defesa Interna) para conseguir informações dos militantes
contrários a ditadura militar:
Pau-de-arara
Cadeira
do dragão: Era
uma espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira
revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado
na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os
torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram
aplicados choques
Pau-de-arara:
É uma das mais
antigas formas de tortura usadas no Brasil (já existia nos tempos da escravidão).
Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava
pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição
que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e
queimaduras com cigarros.
Choques
elétricos: As
máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de "pimentinha" ou
"maricota". Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era
girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e
convulsões - muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a
própria língua.
Espancamentos:
Vários tipos de
agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais
cruéis era o popular "telefone". Com as duas mãos em forma de concha,
o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A
técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar
surdez permanente.
Soro
da verdade: O
tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um
estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa
poderia falar coisas que normalmente não contaria - daí o nome "soro da
verdade" e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é
pouco confiável e a droga pode até matar.
Afogamentos:
Os torturadores
fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira ou um tubo de borracha
dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era
mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água,
forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento.
Geladeira:
Os presos
ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé.
Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um
sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes
emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na "geladeira" por vários
dias, sem água ou comida.
Palmatória: Os torturadores usavam uma raquete de madeira, bem
pesada, para bater em suas vítimas. Geralmente, este instrumento era utilizado
em conjunto com outras formas de tortura, com o objetivo de aumentar o
sofrimento do acusado. Com a palmatória, as vítimas eram agredidas em várias
partes do corpo, principalmente em seus órgãos genitais.
Esses tipos de torturas foram
utilizados por brasileiros contra outros brasileiros e é um dos capítulos mais
tristes da história do Brasil.
quinta-feira, 22 de maio de 2014
Especial 50 Anos da Ditadura no Brasil: A cultura
As relações entre o governo militar e os
setores da sociedade ligados à produção cultural foram, desde abril de 1964,
marcas pela tensão. Uma das formas pelas quais a ditadura lidou com o mundo das
artes e da literatura foi a censura e
a repressão. Ao mesmo tempo, o governo tentou criar novos órgão de
produção cultural sob seu controle, como a Empresa
Brasileira de Filmes e a Fundação
Nacional de Arte, que tinham como objetivo controlar a produção e a
distribuição da arte (filmes, musicas, peças de teatro, etc.) no Brasil durante
a ditadura. A grande maioria dos artistas, cineastas, compositores e
escritores, reagiu protestando. Mas que forma fizeram isso? Utilizaram as
artes!
Atrizes brasileiras marchando contra a Ditadura
A Música, a Literatura
e o Teatro durante a Ditadura
A música de protesto,
surgiu durante a ditadura militar e tinha como objetivo criticar a situação
política e social do país. Um exemplo
disso é a música “Pra não dizer que não falei
de flores” de Geraldo Vandré, apresentada em um festival e que tornou-se
hino daqueles que eram contra a ditadura. O acirramento da censura fez com que
os compositores disfarçassem suas mensagens. Outro movimento que surgiu nesse
período foi a Jovem Guarda (Roberto Carlos, Erasmo Carlos, etc.)
influenciados pela música jovem norte-americana, ficaram famosos por lançarem
no Brasil, o iê-iê-iê, uma variação de suave de rock in roll. Esse movimento
influenciou a forma de vestir e de falar de grande parte da juventude daquela
época. Surgiu também nessa época o Tropicalismo.
Esse movimento buscou sintonizar a música popular brasileira com a música pop
internacional e, ao mesmo tempo, resgatar algumas manifestações tradicionais da
cultura brasileira. Fizeram parte deste movimento artistas como: Caetano
Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, etc. O tropicalismo não se restringiu somente a
música destacando-se também no teatro. Já na literatura e no teatro, para
driblar a censura e denunciar a opressão política, os escritores da época
disfarçavam suas obras através de romance-reportagens e de obras realistas
fantásticas. A primeira produção denunciava prisões, tortura, perseguições
políticas. Já a segunda analisava e denunciava a situação irreal do país.
Os Festivais
Um dos veículos utilizados por
compositores e cantores para fazer chegar sua produção ao grande público foram
os festivais de música popular organizados pelas emissoras de televisão
Excelsior e Record, em São Paulo, entre 1965 e 1967.
sexta-feira, 11 de abril de 2014
Especial 50 Anos da Ditadura no Brasil: Governo Figueiredo
Durante o governo de Figueiredo, as manifestações populares foram crescendo. Houveram muitas greves. Vários líderes dos operários foram presos, inclusive Luiz Inácio Lula da Silva. Houve uma campanha que defendia a anulação da punição e condenações políticas efetivadas pelos governos militares contra seus opositores. Era a campanha pela anistia. O próprio governo encaminhou ao Congresso um projeto de anistia, aprovado em agosto de 1979. Assim, centenas de exilados puderam voltar ao Brasil. Em 1982, foram realizadas eleições para governo dos estados, que assumiram em março de 1983. A partir daí iniciou-se um grande movimento para exigir eleições diretas para Presidente da República.
Especial 50 Anos da Ditadura no Brasil: Governo Geisel
Com o término do governo de Médici, foi indicado para a presidência Ernesto Geisel. Em seu governo, iniciou-se um processo de afrouxamento da censura. Em 1974, houve eleições livres para senadores, deputados e vereadores. Porém, os serviços de informação e a segurança continuavam atuantes, procurando e prendendo opositores do governo, acusando-os de comunistas. Foi nesse período que foram assassinados o Jornalista Vladimir Herzog e o operário Manuel Fiel Filho. Esses assassinatos sensibilizaram muito a população, que foi para a rua protestar contra a opressão do governo federal. Sofrendo pressões dos movimentos sociais do Brasil, em 1978, Geisel extinguiu os atos institucionais, entre eles o AI-5. Isso foi um avanço para o processo de redemocratização do país. No final de 1978, foi indicado para presidente, o último presidente militar do país, general João Batista Figueiredo.
Especial 50 Anos da Ditadura no Brasil: Governo Médice
Quando o general Médici assumiu a presidência, grupos armados contra a ditadura já estavam atuando nas grandes cidades do país. Esses grupos eram chamados de guerrilhas, e partiram para a oposição armada contra o governo. Seus líderes eram políticos cassados e ex-militares, que tinham o apoio de estudantes e operários. Podemos destacar como principais personagens dessas guerrilhas: Carlos Marighela e Carlos Lamarca. As ações mais frequentes desses grupos eram assaltos a bancos para conseguir dinheiro para a luta armada; assaltos a instituições militares e policiais para conseguir armas; sequestros de diplomatas estrangeiros para trocá-los por presos políticos; ataques contra quartéis. Desta forma, o governo reprimiu duramente a guerrilha. Centenas de pessoas foram presas, torturado e mortas. Inclusive Marighela e Lamarca. Muitos foram torturados para revelar o nome dos companheiros de lutas e os planos das organizações a que pertencia. Ao mesmo tempo em que conseguiu eliminar a resistência armada ao regime militar, Médici estabeleceu uma forte censura contra a imprensa e à produção cultural. Desta forma, a população era levada a crer que o país estava em paz, pois os jornais não podiam divulgar nada contra o governo. O governo proibiu quinhentos filmes, quatrocentas peças de teatro, duzentos livros e milhares de músicas. Segurança e desenvolvimento eram os objetivos do governo militar. A segurança era garantida mediante a repressão e a censura. Já o desenvolvimento vinha de grandes projetos financiados com o dinheiro vindo do exterior.
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Especial 50 anos da Ditadura no Brasil: O Governo Costa e Silva
Para suceder Castelo Branco, assumiu a presidência o Marechal Artur da Costa e Silva. Durante esse governo ocorreram muitas manifestações contra a ditadura militar. Em 1968, houve uma manifestação no Rio de Janeiro, com mais de 100 mil pessoas contra o assassinato do Estudante Edson Luís, pela polícia; em São Paulo, 750 estudantes foram presos quando participaram do XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes. Houve também várias greves. Em dezembro de 1968, o governo baixou o AI-5, o mais duro de todos os atos institucionais. Através dele o presidente fechou o Congresso Nacional e caçou centenas de deputados federais, estaduais, prefeitos, vereadores, ministros do Supremo Tribunal Federal. Em agosto de 1969, Costa e Silva, adoeceu e deveria ser substituído pelo seu vice, Pedro Aleixo, que era civil. Porém, uma junta militar composta de três militares, tomaram o poder. Essa junta governou o Brasil por dois meses. Em outubro de 1969, o congresso foi reaberto para receber a indicação do General Emílio Garrastazu Médici à presidência da República. No dia 25 desse mesmo mês, Médici foi eleito presidente, tomando posse no dia 30.
Especial 50 anos da Ditadura no Brasil: O Governo de Castelo Branco
Destituído o presidente, os três ministros militares (exército, aeronáutica e marinha), assumiram o comando do país. Passaram por cima da Constituição e do Congresso e atribuíram ao governo militar poderes excepcionais. Fizeram isso através de Atos Institucionais. O primeiro desses atos, o AI–1, foi baixado em abril de 1964. Esse ato estabeleceu eleições indiretas para presidente, autorizava o presidente a cassar mandatos e suspender direitos políticos por dez anos, e suspendia por seis meses as garantias constitucionais. Foi escolhido para presidente, o Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, assumindo a presidência em 15 de Abril de 1964 até março de 1967. O primeiro ato do governo Castelo Branco foi anular as reformas de Jango e iniciou uma violenta opressão contra aqueles que faziam oposição ao regime militar. Cassou os direitos de 378 pessoas, (incluindo 3 ex-presidentes, 6 governadores e 55 membros do congresso); demitiu 10 mil funcionários públicos e mandou investigar 40 mil pessoas. Baixou novos atos institucionais (AI–2 e o AI-3). O primeiro estabeleceu maiores poderes para o presidente, o fim dos antigos partidos políticos e a criação de apenas dois ARENA (Aliança Renovadora Nacional) e um de oposição moderada (MDB – Movimento Democrático Brasileiro). Já o AI-3, instituiu que os governadores e vice-governadores também seriam eleitos indiretamente e os prefeitos das capitais seriam nomeados pelos governadores; os prefeitos passaram a ser nomeados pelos governadores de comum acordo com o presidente. Os políticos, estudantes, intelectuais, sindicalistas e outras pessoas que passaram a criticar e combater o governo foram perseguidos com ameaças de prisão, cassação e exílio. Em janeiro de 1967, foi assinada uma nova constituição que dava grandes poderes ao presidente.
domingo, 30 de março de 2014
10 Filmes Sobre a Ditadura Militar que Você deve Assistir
1)
"Terra em Transe" (Glauber Rocha, 1967): Um governador demagogo apoiado pelas
massas disputa o poder com um senador conservador financiado pelo capital.
Entre eles, um jornalista e poeta tenta conduzir um povo "ignorante e
analfabeto" à emancipação social e econômica, mas se divide, ora apoiando
um, ora o outro candidato. O enredo se passa em Eldorado, país fictício mas
representativo do Brasil e outras nações latino-americanas, marcados pela tensão
política e agitação ideológica.
2)
"Cabra marcado para morrer" (Eduardo Coutinho, 1984): A repressão às ligas camponesas e a
separação de uma família na Paraíba pela ditadura são histórias que se cruzam
graças à própria realização do filme, hoje um clássico do cinema documentário.
As filmagens, iniciadas em 1964 para contar a história de um líder camponês
assassinado, são interrompidas pelo golpe. Somente 17 depois, num contexto de
abertura, as gravações são retomadas, quando a viúva rememora o passado de
perseguição e lamenta o afastamento forçado dos filhos.
3)
"Jango" (Silvio Tendler, 1984): Documentário relata em detalhes a
trajetória política de João Goulart, da origem rica à influência getulista, das
dificuldades em implementar as reformas de base ao golpe militar, do exílio no
Uruguai à morte na Argentina. Sob rico acervo de imagens históricas, o narrador
apresenta um presidente em busca da justiça social, mas deposto por setores
"reacionários" da política e da sociedade. Destaque para contexto fidedigno
e depoimentos de atores centrais da época.
4)
"O que é isso, companheiro?" (Bruno Barreto, 1997): Parcialmente inspirado em livro
homônimo de Fernando Gabeira, filme mistura realidade e ficção ao recontar a
história do rapto do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969, por
integrantes do MR-8 e ALN, para libertar outros 15 membros da luta armada.
Acusado pela esquerda de banalizar um fato histórico e seus protagonistas, o
filme retrata jovens guerrilheiros ingênuos e inseguros, um diplomata bom e
medroso e um torturador em crise de consciência.
5)
"Hércules 56" (Silvio Da-Rin, 2006): Documentário reconstitui a troca de
Chales Elbrick pela libertação de 15 guerrilheiros com imagens raras e
depoimentos de quem participou da ação, por uns considerada a mais
"bem-sucedida" da esquerda, por outros, um completo
"desastre". Enquanto os idealizadores do rapto contrapõem versões ao
redor de uma mesa, alguns dos libertados rememoram a difícil saída do Brasil a
bordo do avião da FAB Hércules 56, rumo ao exílio no México, Paris e Cuba.
6)
"Pra frente, Brasil" (Roberto Farias, 1982): Trabalhador de classe média é preso e
torturado após ser confundido com um "subversivo". O enredo se passa
em 1970, auge do milagre econômico e da conquista do tricampeonato mundial pela
seleção brasileira. Em desespero, a mulher e o irmão se deparam com uma polícia
que mente sobre o sumiço e empresários que financiam a repressão. De final
trágico e inicialmente censurado pelo regime, é o primeiro filme que mostra
abertamente a tortura.
7)
"Cidadão Boilesen" (Chaim Litewski, 2009): A partir de pesquisa e entrevistas,
documentário conta a vida de Henning Albert Boilesen (1916-1971). Dinamarquês
naturalizado no Brasil e empresário estimado pela alta sociedade, passa a
financiar a Operação Bandeirantes (Oban), centro clandestino de tortura em São
Paulo. Apesar de defendido pelo filho, relatos mostram um homem que sentia
prazer nas sessões de tortura e fornecia carros da Ultragaz, que presidia, para
perseguir guerrilheiros.
8)
"Lamarca" (Sérgio Rezende, 1994): Adaptação da biografia de Carlos
Lamarca, ex-capitão do Exército que deserta e se torna líder da VPR. O longa
alude a episódios conhecidos da luta armada, como o sequestro do embaixador
suíço e o roubo da fortuna do ex-governador Adhemar de Barros. Alternando os
dois últimos anos de vida de Lamarca com flashbacks de seu passado, o filme
retrata suas ações de guerrilha urbana, com assaltos a banco, e sua caçada e
morte no sertão da Bahia.
9)
"Marighella" (Isa Grinspum Ferraz, 2011): Dirigido e narrado pela sobrinha que
pouco conheceu o comunista baiano fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN),
grupo armado de combate à ditadura, o documentário desvela a intimidade de um
homem afável, poético e sensível. Com depoimentos de familiares e
ex-companheiros do Partido Comunista, o filme perpassa momentos históricos
importantes vividos por Carlos Marighella, que enfrentou não só a ditadura
militar, mas também o Estado Novo.
10)
"O dia que durou 21 anos" (Camilo Tavares, 2013): Gravações telefônicas e telegramas
diplomáticos dissecam apoio dos EUA ao golpe que derrubou João Goulart em 1964.
Conversas e memorandos do embaixador americano Lincoln Gordon com os
presidentes John Kennedy e Lyndon Johnson revelam tentativas de influenciar as
Forças Armadas, propagandear Jango como ameaça comunista e prever etapas do
golpe. Documentário também detalha a Operação Brother Sam e traz análises de
especialistas.
Especial 50 Anos da Ditadura Militar no Brasil (1964 - 1985)
A
Ditadura Militar foi o período da política brasileira em que os militares
governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta
de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política
e repressão aos que eram contra o regime militar.
O golpe militar de 1964: A crise política se iniciou com a
renúncia de Jânio Quadros à presidência do Brasil em 1961. Pela constituição assumiria
seu vice, João Goulart (Jango). Jango estava em visita oficial à China. Assumiu
interinamente o governo, o presidente da câmara, Ranieri Mazzilli. As elites
brasileiras tentaram impedir a posse de Jango pois viam-no como comunista e
usaram a própria visita à China como argumento. Grupos militares e políticos
anticomunistas estavam dispostos a impedir a posse de Jango. Este era ameaçado
de ser preso caso desembarcasse no Brasil. Mas esses grupos encontraram
resistência, especialmente no Rio Grande do Sul, onde o governador Leonel Brizola liderou a “Campanha da
Legalidade”, com o apoio dos próprios militares daquele estado. Os legalistas
defendiam o cumprimento da Constituição, a qual afirmava que, com a renúncia do
presidente quem deveria assumir o governo era o vice-presidente. Os golpistas
perceberam que, se insistissem em impedir a posse do vice-presidente eleito, o
país ficaria ameaçado por uma guerra civil. O congresso encontrou uma solução:
Jango assumiria a presidência, mas seria adotado o sistema parlamentarista. Quem governaria seria um primeiro-ministro,
escolhido pelo congresso. Com isso, esperava-se diminuir o poder do presidente.
Jango, contudo, não concordava com a limitação de seus poderes e pretendia
fazer reformas anunciadas durante a campanha eleitoral. Encaminhou ao congresso
um projeto de lei concedendo o 13º salário aos trabalhadores. O congresso não
aprovou a lei. Os trabalhadores começaram a fazer greves em apoio a Jango. Em janeiro de 1963, o presidente
promoveu um plebiscito, pedindo aos eleitores que se manifestassem a favor do
parlamentarismo ou do presidencialismo. A maioria dos eleitores apoiou a volta
do presidencialismo. Em dezembro de 1963, com os poderes de volta, Jango
decretou o monopólio estatal sobre a importação de petróleo; em janeiro de
1964, estabeleceu o controle sobre os lucros que as multinacionais mandavam
para fora do país. Em março de 1964, Jango anunciou vários decretos. Entre
eles, a nacionalização das refinarias particulares de petróleos e a
desapropriação das propriedades com mais de 100 hectares para fins
de reforma agrária. O programa de reformas de Jango incluía ainda, uma reforma
eleitoral, concedendo o direito a voto aos analfabetos; reforma universitária,
aumentando o número de vagas nas universidades públicas; reforma bancaria;
reforma urbana, etc. Entretanto, o presidente não teve tempo para realizar seu
programa. Um golpe militar derrubou Jango em 1º de Abril de 1964.







