sexta-feira, 23 de maio de 2014

Especial 50 anos da Ditadura Militar no Brasil: Repressão: Prisões, Torturas, Assassinatos

O governo militar (chamado de Anos de Chumbo) reprimiu duramente as manifestações (guerrilha e os grupos de esquerda). Centenas de militantes foram presos. Muitos outros foram mortos. Os presos eram submetidos a torturas para revelar o nome dos companheiros de luta e os planos das organizações a que pertenciam. A seguir alguns tipos de torturas utilizadas pelo DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna) para conseguir informações dos militantes contrários a ditadura militar:
 
 
Pau-de-arara
 
Cadeira do dragão: Era uma espécie de cadeira elétrica, os presos sentavam pelados numa cadeira revestida de zinco ligada a terminais elétricos. Quando o aparelho era ligado na eletricidade, o zinco transmitia choques a todo o corpo. Muitas vezes, os torturadores enfiavam na cabeça da vítima um balde de metal, onde também eram aplicados choques

Pau-de-arara: É uma das mais antigas formas de tortura usadas no Brasil (já existia nos tempos da escravidão). Com uma barra de ferro atravessada entre os punhos e os joelhos, o preso ficava pelado, amarrado e pendurado a cerca de 20 centímetros do chão. Nessa posição que causa dores atrozes no corpo, o preso sofria com choques, pancadas e queimaduras com cigarros.

Choques elétricos: As máquinas usadas nessa tortura eram chamadas de "pimentinha" ou "maricota". Elas geravam choques que aumentavam quando a manivela era girada rapidamente pelo torturador. A descarga elétrica causava queimaduras e convulsões - muitas vezes, seu efeito fazia o preso morder violentamente a própria língua.

Espancamentos: Vários tipos de agressões físicas eram combinados às outras formas de tortura. Um dos mais cruéis era o popular "telefone". Com as duas mãos em forma de concha, o torturador dava tapas ao mesmo tempo contra os dois ouvidos do preso. A técnica era tão brutal que podia romper os tímpanos do acusado e provocar surdez permanente.

Soro da verdade: O tal soro é o pentotal sódico, uma droga injetável que provoca na vítima um estado de sonolência e reduz as barreiras inibitórias. Sob seu efeito, a pessoa poderia falar coisas que normalmente não contaria - daí o nome "soro da verdade" e seu uso na busca de informações dos presos. Mas seu efeito é pouco confiável e a droga pode até matar.

Afogamentos: Os torturadores fechavam as narinas do preso e colocavam uma mangueira ou um tubo de borracha dentro da boca do acusado para obrigá-lo a engolir água. Outro método era mergulhar a cabeça do torturado num balde, tanque ou tambor cheio de água, forçando sua nuca para baixo até o limite do afogamento.

Geladeira: Os presos ficavam pelados numa cela baixa e pequena, que os impedia de ficar de pé. Depois, os torturadores alternavam um sistema de refrigeração superfrio e um sistema de aquecimento que produzia calor insuportável, enquanto alto-falantes emitiam sons irritantes. Os presos ficavam na "geladeira" por vários dias, sem água ou comida.

Palmatória: Os torturadores usavam uma raquete de madeira, bem pesada, para bater em suas vítimas. Geralmente, este instrumento era utilizado em conjunto com outras formas de tortura, com o objetivo de aumentar o sofrimento do acusado. Com a palmatória, as vítimas eram agredidas em várias partes do corpo, principalmente em seus órgãos genitais.

Esses tipos de torturas foram utilizados por brasileiros contra outros brasileiros e é um dos capítulos mais tristes da história do Brasil.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Especial 50 Anos da Ditadura no Brasil: A cultura

As relações entre o governo militar e os setores da sociedade ligados à produção cultural foram, desde abril de 1964, marcas pela tensão. Uma das formas pelas quais a ditadura lidou com o mundo das artes e da literatura foi a censura e a repressão. Ao mesmo tempo, o governo tentou criar novos órgão de produção cultural sob seu controle, como a Empresa Brasileira de Filmes e a Fundação Nacional de Arte, que tinham como objetivo controlar a produção e a distribuição da arte (filmes, musicas, peças de teatro, etc.) no Brasil durante a ditadura. A grande maioria dos artistas, cineastas, compositores e escritores, reagiu protestando. Mas que forma fizeram isso? Utilizaram as artes!
 
Atrizes brasileiras marchando contra a Ditadura
 
A Música, a Literatura e o Teatro durante a Ditadura

A música de protesto, surgiu durante a ditadura militar e tinha como objetivo criticar a situação política e social do país.     Um exemplo disso é a música “Pra não dizer que não falei de flores” de Geraldo Vandré, apresentada em um festival e que tornou-se hino daqueles que eram contra a ditadura. O acirramento da censura fez com que os compositores disfarçassem suas mensagens. Outro movimento que surgiu nesse período foi a Jovem Guarda (Roberto Carlos, Erasmo Carlos, etc.) influenciados pela música jovem norte-americana, ficaram famosos por lançarem no Brasil, o iê-iê-iê, uma variação de suave de rock in roll. Esse movimento influenciou a forma de vestir e de falar de grande parte da juventude daquela época. Surgiu também nessa época o Tropicalismo. Esse movimento buscou sintonizar a música popular brasileira com a música pop internacional e, ao mesmo tempo, resgatar algumas manifestações tradicionais da cultura brasileira. Fizeram parte deste movimento artistas como: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee, etc. O tropicalismo não se restringiu somente a música destacando-se também no teatro. Já na literatura e no teatro, para driblar a censura e denunciar a opressão política, os escritores da época disfarçavam suas obras através de romance-reportagens e de obras realistas fantásticas. A primeira produção denunciava prisões, tortura, perseguições políticas. Já a segunda analisava e denunciava a situação irreal do país.

Os Festivais

Um dos veículos utilizados por compositores e cantores para fazer chegar sua produção ao grande público foram os festivais de música popular organizados pelas emissoras de televisão Excelsior e Record, em São Paulo, entre 1965 e 1967.